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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Os Negócios com a Gestifute

Uma excelente análise aos ngegócios com passes de jogadores do Benfica retirada do blog Fórum Benfica:

Como este Comunicado está a provocar imensa confusão nas pessoas, e isso é compreensível já que se tratam de negociações bastante complexas, decidimos explicar o que está em jogo nestes negócios, tendo em conta o que é conhecido através do comunicado à cmvm.

O Benfica tinha adquirido 50% do passe do Sidnei por 5M€, ficando Jorge Mendes com os restantes 50%. Naturalmente que se o Benfica quisesse adquirir os restantes 50% do passe do Sidnei, atendendo à performance do jogador e à muita atenção despertada por essa europa fora, o Benfica teria de pagar bastante mais do que 5M€.

Alias no negócio Andersson, as últimas 2 tranches do passe do jogador também custaram bastante mais ao Porto do que a primeira tranche adquirida, já que nos momentos subsequentes o jogador tinha um valor bastante superior no mercado.

Quanto ao Sidnei, o Benfica adquiriu o seu passe por 5M€ (50%) + 2M€ & 30% da mais-valia líquida de uma futura venda. (50%)

Cenário 1: Venda com apenas 50% do passe:
Valor da Venda: 25M€
Valor líquido da Venda: 22,5M€ (substração de 5% para o Fundo de Solidariedade e 5% de comissão para o intermediário)
Valor líquido recebido pelo Benfica: 11,25M€ (50%)
Mais-Valia Líquida do Benfica (Venda líquida 11,25M€ - Compra 5M€ 50%): 6,25M€!

Cenário 2: Venda com 100% do passe:
Valor da Venda: 25M€
Valor líquido da Venda: 22,5M€ (substração de 5% para o Fundo de Solidariedade e 5% de comissão para o intermediário).
Valor líquido recebido pelo Benfica 22,5M€ (100%)
Mais-Valia Líquida do Benfica (70%) (Venda líquida 22,5M€ - Compra 7M€ 100%): 15,5M€*70% = 10,85M€!

Com este negócio o Benfica salvaguarda a sua posição ao ficar detentor dos 100% do passe, e dessa forma não será forçado a vender o Sidnei no final da época. Analisando apenas este factor já faz com que o negócio tenha sido positivo para o Benfica, já que segura um talento como o Sidnei por mais alguns anos.

Mas também em termos financeiros este negócio poderá ser bastante vantajoso ao poder representar uma mais-valia que é quase o dobro daquela que o Benfica poderia alcançar, caso apenas ficasse com os 50% do passe, além do facto de neste momento o Benfica apenas ter dispendido 1M€, em termos de fluxos monetários, no conjunto dos negócios anunciados, para ter a totalidade do passe do jogador.

Por outro lado, o Benfica arranjou outra forma de compensar o Jorge Mendes pela venda da totalidade do passe do Sidnei. Cedeu 10% do passe do Di Maria por 1M€. Esta foi outra forma de compensação pela venda dos 50% do Sidnei, já que o Benfica teve propostas de 20M€ pelo Di Maria e desta forma os 10% valeriam pelo menos 2M€. Desse modo o Jorge Mendes também fica com um ganho potencial superior a 1M€ nesta operação, para além do facto de o Benfica ganhar um aliado de peso na valorização e venda dos jogadores Di Maria e Sidnei junto dos principais clubes europeus, quando os momentos adequados chegarem.

Jorge Mendes desta forma recebe muito menos do que poderia receber neste momento pelos 50% do passe do Sidnei, mas suporta 30% do risco da operação e por esse facto a médio-prazo pode ser compensado quando Sidnei e Di Maria forem vendidos. Se juntarmos os 5M€+2M€+ 4,65M€ de mais-valia líquida (caso Sidnei seja vendido por 25M€) e 1,25M€ de mais-valia líquida (caso Di Maria seja vendido por 25M€) a Gestifute poderá receber 12,9M€ em termos globais pelo Sidnei.

Este negócio indica que a Gestifute acredita convictamente numa grande valorização do Sidnei, porque trocar percentagens de passe por percentagens de mais-valias é um enorme risco para o investidor. Se o Sidnei fosse vendido pelo que custou, a Gestifute não receberia mais nenhum dinheiro, enquanto que com percentagem do passe receberia sempre parte do encaixe com a venda.

A novidade neste negócio é mesmo o facto de o parceiro passar a ficar com uma percentagem não do passe mas sim do valor da mais-valia líquida, e é neste aspecto que as pessoas e os jornalistas em geral, por norma, confundem tudo. Por exemplo, o Simão foi vendido por 20M€ + 2 jogadores, e a mais-valia líquida foi de 17M€ até porque o jogador ainda valia dinheiro em termos contabilisticos. O Valor global da venda de um jogador é diferente do valor de uma Mais-Valia que, como o nome indica, apenas se refere à valorização do activo móvel ou imóvel de uma empresa, obtida aquando da sua venda.

É este valor da Mais-Valia que depois entra como proveito de uma empresa em determinado exercício económico, e não o valor global da venda dos activos. Por exemplo, o Porto para obter os 30M€ de Mais-valias necessárias para o equilíbrio da sua SAD, terá de vender nos próximos anos 50M€ a 60M€ de euros em jogadores em cada época. É facil de prever que mais dia menos dia aquela SAD irá dar o "estouro".

Para concluir o negócio Sidnei:

Será que pagar 7M€ certos, até a um valor de 12,9M€ em termos potenciais, será um valor exagerado para um talento como o Sidnei?

Será que já não existem clubes europeus dispostos a pagar, não em termos potenciais, mas sim com dinheiro batido na mesa, esse valor pelo Sidnei?

Preferiam que o Benfica pagasse apenas 5M€ por 50% do passe e o jogador acabasse por se revelar um "flop"?

Ou preferiam que o Sidnei nunca tivesse vindo para o Benfica?

Achamos que a resposta a essas questões irão terminar de vez com algumas das dúvidas que ainda pairam por aí ...

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posted by J G at 2:43 da tarde

2 Comentários:

Muito bom o esclarecimento dado que tinha ficado com dúvidas naquela parte dos 30% da gestifute.

Em relação ao Di Maria, se o jorge mendes tivesse adquirido os 100% por 10M € não era nada mal jogado.
Anonymous Area de Serviço de Óbidos, at 2:51 da tarde  
Caro JG, em primeiro lugar deixe-me felicitá-lo pelo excelente post que publicou, que denota profundo conhecimento de causa, mas só uma pergunta: onde estão os tais 2 jogadores a que supostamente teríamos direito por força da transacção do Simão? Nunca mais se soube nada sobre isso, e mais parece que foi um estratagema do LFV para disfarçar que ao contrário do prometido sempre vendia o Simão por contrapartida inferior à cláusula de rescisão.
Já agora, caro Area de Serviço, a alienação da totalidade do passe do Di María ao Jorge Mendes ou à sua empresa seria, creio, impossível, porque os empresários não podem ser titulares de passes de jogadores (recorde-se o escândalo gerado na transferência do Mantorras).
Abraço,
Zé Amaral
Anonymous Anónimo, at 1:51 da manhã  

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